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2020-04-13

Estrada Nacional, a route 66 portuguesa

A única estrada a atravessar o país de norte a sul, pelo interior, a EN2 proporciona diferentes paisagens, tradições e sabores numa só aventura. Das montanhas em Trás-os-Montes, passando pelos socalcos do Douro e as longas planícies pelos campos de cultivo até chegar ao barrocal algarvio, uma viagem nesta estrada é uma viagem por o que é Portugal.

A Antiga Estrada Nacional N.o (EN2) é também conhecida por “Route 66 portuguesa”, visto que tal como a famosa estrada americana atravessa o seu país. Não é só uma estrada marcada por diversas épocas e histórias, mas também um excecional roteiro panorâmico, histórico-cultural e gastronómico com tudo o que Portugal pode oferecer. Instituída a 11 de Maio de 1945 os seus 738.5km levam-nos de norte a sul, passando por 11 distritos (Vila Real, Viseu, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém, Portalegre, Évora, Setúbal, Beja e Faro), 8 províncias (Trás-os-Montes e Alto Douro, Beira Alta, Beira Litoral, Beira Baixa, Ribatejo, Alto Alentejo, Baixo Alentejo e Algarve), 4 serras, 11 rios e 32 concelhos. Muitos dos segmentos eram já principais vias romanas que outrora atravessavam Lusitânia, que foram com o passar do tempo sendo melhoradas e conectadas com outras até ao final do séc. XIX se tornar numa Estrada Real. Através desta coluna dorsal da circulação rodoviária no interior do País, desde o km 0 até ao destino final, as oportunidades para experienciar diferentes trajetos é quase ilimitada, desde percursos paisagísticos e da água, a percursos religiosos e históricos, a percursos enológicos e gastronómicos, a percursos de património cultural.

Começando por Chaves, enigmática pelas suas termas e ponte romana de Trajano podemos percorrer o centro histórico e admirar as coloridas varandas enquanto se come um pastel de chaves. Outra paragem é Vila Real, conhecida pelas suas majestosas e imponentes serras, Alvão e Marão, rainhas de uma paisagem verdejante. A entrada no Alto Douro Vinhateiro é desenhada em contornos retorcidos, numa paisagem modelada pelo homem e com a nobre distinção de Património Mundial da UNESCO, que vai percorrer pequenos vilarejos e atravessar encostas de vinhas e pomares. Em Lamego encontramos o distinto monumento religioso do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios com as suas imensas escadarias enquadradas em sintonia com os verdejantes jardins.

Na região vinícola do Dão, encontramos a histórica cidade de Viseu, tranquila e rica em tesouros da história de Portugal. Deixando as vinhas para trás, cerejeiras, castanheiros e pinheiros dominam a paisagem no centro. A Serra Lousã é profundamente sulcada pelas linhas de água, uma terra de rica biodiversidade e lindas paisagens onde pode aproveitar para fazer um pequeno desvio a uma das pitorescas Aldeias do Xisto, como Talasnal e Cerdeira. Continue a sua viagem rumo ao sul, passando por Vila de Rei, o centro geodésico de Portugal.

Para lá do Tejo encontramos agora a tranquilidade dos campos alentejanos com os seus olivais, sobreiros e carvalhos, as barragens cheias de biodiversidade e as pequenas aldeias caiadas de branco, mas enriquecidas pelas cores variadas com que alternam os contornos das portas e janelas. Pequenas cidades como Alcáçovas, que possuem tanto as típicas ruas de calçada portuguesa como arquitetura de origem árabe. Outra paragem é Montemor-o-Novo, com o seu ancestral castelo, uma mistura perfeita e harmoniosa entre o passado que nos contruiu e o presente que nos sustenta.

E atravessando a Serra do Caldeirão e o Barrocal Algarvio, um percurso pelo coração das remotas montanhas da região do Algarve. A não perder é um desvio ao Palácio de Estói, que atualmente é convertido em Pousada de Portugal, antes de pôr os olhos no mar e na ria Formosa. No Parque Natural da Ria Formosa temos numa série de lagoas de água salgada e lodaçais um refúgio para aves migratórias e uma rica biodiversidade de vida selvagem. Perto encontra-se Faro, a capital distrital que, no entanto, conseguiu manter o seu ambiente pacífico e charme tradicional no interior das muralhas desta antiga cidade. Cénica principalmente pelos monumentos históricos e marina, proporciona também fácil acesso a outras cidades, como Loulé, Albufeira e Olhão, podendo diversificar o fim da sua viagem.

Foram quilómetros e quilómetros de pura beleza, paisagens incríveis, património único e oportunidades de saborear rica gastronomia que não se esgotaram, numa rota que procurou sempre que possível acompanhar o traçado resultante da primeira ligação direta de Chaves a Faro. Há dois pretextos para realizar esta aventura: o puro prazer de concretizar uma viagem de norte a sul, ou sul a norte de Portugal, ou o simples desejo de realizar uma viagem de descoberta.
Embora a construção das autoestradas com ligações mais rápidas, a tenham colocado em risco, emergiu nos últimos anos como uma importantíssima rota turística. Dia após dia, ganha cada vez mais adeptos que partem por esta estrada fora à procura de aventuras. Dada a antiguidade da estrada, e pelos vários sítios por onde passa é na verdade uma estrada mítica, pelos segredos e aventuras que esconde. É uma oportunidade única de desafiar os seus sentidos na descoberta da diversidade e da história de todo um país.


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